Os Ensinamentos de Verão Mar Ngok: As Origens do Mantra Secreto - Dia 3 & 4




O Período Védico


O Período Védico Inicial

Os Vedas apareceram primeiro na língua original falada na Ásia Central pelo povo ariano, depois

gradualmente se desenvolveram no que foi chamado de língua védica, que se tornou o

sânscrito nos séculos 7 e 6 AEC. No Período Védico Inicial não havia uma língua escrita e os

Vedas eram transmitidos oralmente. O Ṛigveda descreve como os arianos - principalmente

aqueles que se estabeleceram no Punjab - lutaram em batalha, como os reinos se ergueram e

declinaram, e como sua cultura se desenvolveu.


Por que eles são chamados de Vedas?

O Rigveda é a peça mais antiga da literatura Védica, e é como a fonte para os outros Vedas.

Eles têm um vasto escopo. Como não há histórias escritas da Índia antiga, não há outra

maneira de aprender sobre a cultura indiana antes do século 4 AEC, a não ser estudando os

Vedas, principalmente o Rigveda, e os dois grandes épicos, o Mahabharata e o Ramayana. Em

suma, esses textos são a única maneira de aprender sobre a cultura, o conhecimento e as

formas de pensamento da Índia antiga.


A palavra Veda tem muitos significados, mas o principal deles é conhecimento ou prajna. Os

Vedas se originaram oralmente do poder dos deuses. Isso é análogo aos épicos de Gesar do

Tibete, que vieram através de pessoas comuns que não sabiam ler ou escrever, mas sonhavam

com eventos na época de Gesar. Depois de se recuperarem de uma breve doença, puderam

recitar volumes do épico de Gesar, como se estivessem tocando uma gravação.


Da mesma forma, os indianos acreditavam que os antigos sábios podiam recitar os Vedas

através do poder dos deuses. Eles acreditavam que ao praticar os textos védicos, seriam

capazes de desenvolver uma sabedoria insuperável.


A Literatura Védica inclui muitas composições ou textos

1. Mantra ou Samhit são os textos raiz dos Vedas

2. Os Brahmanas são os textos rituais

3. Upanishads: literalmente 'sentado por perto', inclui principalmente a filosofia dos Vedas

Os textos de raiz dos Vedas são os Mantras ou Samhitas. A segunda e terceira seções são

como comentários.


Os Quatro Vedas

1. O Rigveda é o mais antigo e mais importante texto Védico

2. O Yajurveda ou Veda de "Adoração" é o segundo, que é dividido em Luz, ou em sânscrito

Krishna, e Escuridão, em sânscrito Shukla.

3. O Sāmaveda é o Veda das melodias ou cânticos

4. O Atharvaveda é o mais recente dos textos Védicos de raiz.


Os quatro Vedas não apareceram ao mesmo tempo. Há uma ordem sequencial. Alguns

apareceram mais cedo, outros mais tarde e há uma divergência em seu significado. Eles

surgiram ao longo de várias gerações. Em geral, a estrutura básica dos Quatro Vedas é a

mesma, portanto, eles se suplementam e se incrementam mutuamente.


Inicialmente, o Rigveda era o único Veda. Ele foi composto durante o período de 1500 a 1000

AEC, e é principalmente uma compilação de 1000 coleções diferentes de cânticos ou louvores

aos deuses, contendo cerca de 10.000 versos e 10 livros. Quando apareceu pela primeira vez, o

Rigveda não foi escrito, pois não havia um sistema de escrita, mas foi preservado através da

transmissão oral de um professor para outro. Somente no Período Védico Final ele foi

compilado e escrito.


Os brâmanes tiveram grande interesse em preservar a pronúncia precisa do sânscrito

exatamente como ele era. Eles tomaram muito cuidado com a transmissão oral, mantendo-a

estritamente em sequência.


Assim, o Mestre chinês Yìjing o qual foi para a Índia no final do século VII, registrou em seu

Registros de Práticas Budistas Enviados do Mar do Sul, que todos eles foram transmitidos

oralmente e não escritos, e que os brâmanes com as mentes mais aguçadas podiam recitar

100.000 versos. Prajna Paramita, por exemplo, também tem 100.000 versos, observou o

Karmapa.


Recitar significa memorizar as palavras e depois "traduzir com a boca". Isso foi muito benéfico,

pois houve muitas invasões nas quais os artefatos foram todos destruídos, então se os textos

fossem queimados haveria uma enorme perda, mas se for memorizado, permanecerá.


O Karmapa acrescentou que no Vinaya falamos sobre recitar textos de memória e isso vem da

tradição Vedic. Por exemplo, se pudermos entender claramente todas as histórias e as razões

para as regras no Vinaya, então sabemos o que devemos fazer em qualquer situação

específica. Se tivermos que procurar em um texto, então não poderemos ser completamente

independentes. Temos que andar sempre com o texto. Este é um ponto crucial, disse ele.


Em resumo, o Rigveda é muito mais antigo e é a base para os outros Vedas, a raiz. É uma

coleção de hinos à natureza escritos pelos poetas arianos, nos quais eles reconheceram as

forças naturais como deuses. Os outros três Vedas também citam o Rigveda. Assim, o Rigveda

não é apenas um importante texto indiano antigo, mas também uma importante fonte histórica

para o estudo da religião e mitologia indiana. O estudioso e indólogo alemão Duessen do

século XIX escreveu que "não há como conhecer a filosofia indiana sem conhecer o Rigveda", e

isso parece ser verdadeiro, comentou o Karmapa.



Os antigos Rishis (Sábios)


Quem foram os autores do Rigveda?


No Período Védico Inicial, não havia distinção de casta; qualquer um podia fazer sacrifícios,

cantar louvores ou rezar. Mais tarde, após o desenvolvimento do sistema de castas, apenas

algumas das castas eram habilitadas a realizar sacrifícios e a recitar cânticos. Há diferenças na

educação e nas habilidades e foram justamente os mais educados, chamados Os Sete Nobres

ou Sábios, que escreveram o Rigveda. No entanto, os pesquisadores acreditam que foi

provavelmente uma compilação de textos elaborados ao longo de várias centenas de anos,

escritos por pessoas da mesma linhagem familiar, que compilaram os Vedas. Os Sete Sábios

ou Rishis eram reverenciados como intermediários entre os deuses e os humanos. Por essa

razão, os autores dos Rigveda são chamados de "Sete Nobres" ou "Sapta Tsaya".


Ao realizar rituais elaborados, era necessário convidar aqueles que se especializavam nessa

função. Por exemplo, um rei precisaria de um sacerdote (em sânscrito: purohita), para realizar

sacrifícios aos deuses, e para conduzir rituais que garantissem a vitória na batalha. A casta

chamada "Brâmanes" desenvolveu-se a partir daqueles que haviam estudado especialmente

para realizar os rituais dos Vedas.


Inicialmente, não havia templos e nenhum lugar fixo onde os sacrifícios fossem realizados. Não

havia sequer figuras ou representações dos deuses, nem pinturas ou estátuas. Os sábios que

foram os autores dos Vedas estavam realmente vivendo como pessoas comuns com famílias e

pertences. O chefe de cada família, geralmente o pai ou o filho mais velho, tinha que assumir

três responsabilidades: realizar sacrifícios, lutar em batalhas e agricultura. Até o

desenvolvimento do sistema de castas, uma pessoa tinha que fazer de tudo.


No Período Védico Inicial, entre os mais conhecidos dos sábios estava o Sábio Visvamitra e o

Sábio Vasishtha. O rei vigente, Sudas, respeitava muito a ambos. No entanto, como diz o ditado,

em uma única terra não se pode ter dois reis; ou dois tigres não podem viver harmoniosamente

na mesma colina. Havia muitas disputas entre os dois sábios, e seus seguidores também

tinham opiniões divergentes; havia até mesmo batalhas ferozes entre eles. Durante o período

Védico Final, após o desenvolvimento do sistema de castas, as pessoas decidiram que Vasiṣṭha

estava na casta Brâmane e Visvamitra estava na casta Kshatriya ou casta real.


O rei Sudas foi uma importante figura histórica desse período inicial como líder da maior e mais

poderosa das tribos. Muitas batalhas se travaram entre o povo de pele clara e olhos azuis da

Índia, os arianos e o povo de pele escura, que os arianos chamavam de bárbaros. Eles eram

baixos e tinham o nariz achatado.


O Karmapa observou que o Buddha era considerado como um ariano de pele e olhos claros.


Mesmo dentro dos arianos, havia muitas disputas. Dez tribos ou clãs diferentes dos povos de

pele clara ficaram invejosos e se levantaram para se opor ao rei Sudas. Mas o rei foi muito hábil

e os derrotou, resolvendo todas as disputas internas. Não somente isso, ele preservou

fortemente a literatura e a religião, ao mesmo tempo em que apoiava os dois sábios. Devido a

seus esforços, o Rigveda e outras literaturas importantes permaneceram extintos por milhares

de anos.


A maioria dos cânticos do Rigveda são louvores à natureza, que era considerada sagrada. A

visão era que a natureza tinha um caráter divino. Ou de outra perspectiva, eles são hinos de

oferenda a todos os deuses.


Mitos e deuses

Os mitos são extremamente importantes para o estudo da cultura e da sociedade. Os Vedas

falam frequentemente dos deuses, e os pesquisadores têm muitas opiniões diferentes sobre

isso. Em geral, quando a civilização humana se desenvolveu pela primeira vez ou antes de

desenvolver um conhecimento mais amplo, os humanos acreditavam que tudo na natureza

tinha sentimentos e vida, assim como os humanos e que a natureza tinha maiores poderes do

que os humanos.


Subjetivamente falando, os mitos combinam as esperanças, os medos e os desejos das

pessoas para buscar a verdade de sua situação. Para olhar para isso de uma perspectiva, os

mitos assumem uma forma que combina o meio ambiente, o clima, os costumes e a sociedade

daquela época. Assim, os mitos são cruciais para a pesquisa sobre o estudo da história e da

cultura. Pode-se dizer que eles são uma forma da religião original dos seres humanos, e uma

forma de filosofia.


Portanto, estudar a mitologia védica é na verdade o mesmo que pesquisar as raízes originais da

filosofia e da religião indiana. Estudar a literatura védica é como estudar as origens da Índia. A

mitologia védica ainda está viva porque há pessoas que ainda acreditam nos Vedas e ele

tornou-se a base para as filosofias e religiões que surgiram depois dos Vedas. Até hoje, em

certo sentido, ele continua vivo. É diferente da antiga mitologia grega ou romana, que há muito

tempo estão mortas. Ninguém mais acredita nelas ou as pratica.


Pode-se dizer que se você não entender a mitologia védica, afinal não será capaz de entender o

pensamento indiano. Há muitas influências dos mitos védicos e da literatura, particularmente

no Mantrayana Secreto. Como o budismo é uma importante filosofia indiana, ele tem muitas

conexões diferentes com a literatura védica.


Os deuses dos Vedas

Quando os Vedas apareceram inicialmente, as divindades pareciam ser aspectos particulares

da natureza que eram tidos como deuses, como o céu e o sol. "O sol deve ser um deus", eles

pensavam; "Ele amadurece as colheitas, nos dá calor, é mais grandioso que o homem". Eles

tomavam um aspecto particular da natureza e a chamavam de deus. Ainda hoje, nas regiões do

Himalaia e do Tibete, as pessoas consideram uma montanha como um deus e quando vêem

uma árvore velha, acreditam que deve haver um naga vivendo lá. Agora pensamos que é uma

superstição. Mas ver a natureza como um deus e o ambiente natural como estando vivo, e

pensar que seu poder é maior que o poder dos humanos, permitiu-lhes entender como temos

que cuidar do meio ambiente.


O Karmapa acrescentou que hoje em dia pensamos que as pessoas podem fazer o que

quiserem com a natureza. Nós usamos tudo! Nós destruímos tudo! Nós nos apropriamos de

tudo! Nossos problemas ambientais nesta era são algo que temos que enfrentar. É crítico neste

momento. A forma ancestral de olhar o meio ambiente tem um valor real.

As Três Classes de Deuses Védicos


Por volta do século 5 AEC, os deuses védicos foram divididos em três classes ou grupos: os

deuses nos céus (Dyusthana), os deuses no meio ou deuses do ar (Antarikasthana) e os deuses

na terra (Pritivisthana). Cada um desses níveis tinha onze subníveis, para fazer um total de 33,

por isso foram chamados "os deuses dos trinta e três". Isso fala apenas em termos dos níveis

principais. Sua Santidade fez então uma breve introdução a algumas das principais divindades.



I. Deuses nos céus

1. Dyaus, o deus da luz

Dyaus é o ancestral comum de todos os deuses. Ele deve ter sido uma divindade comum

entre os povos arianos antes de se dispersarem em diferentes grupos. Outros povos que se

separaram dos arianos chamaram esta divindade por nomes como Zeus, Júpiter, Deus, Tib, Zio,

Jovis (Iovis), e assim por diante, e havia muitos povos que adoravam essa divindade. Na Grécia

e Roma antigas, ele era considerado o deus principal ou rei dos deuses. Entretanto, na Índia, a

adoração a ele como deus principal declinou, e é como se ele tivesse perdido sua posição para

outros deuses. No Rigveda, essa divindade e a terra são combinadas e chamadas de

Dyavaprithvi - céu e terra, sob cuja forma são adoradas. Eles pensavam que todos os deuses

eram originários de uma única família.


2. Varuna, o deus da água

Varuna é uma das divindades mais antigas. Ele é afirmado como sendo a natureza do

espaço todo-pervasivo. Ele é descrito como o deus com os maiores poderes mágicos e como

sendo onisciente, conhecendo cada pensamento que aparece na mente de todas as pessoas,

não importa quão remota seja sua localização na Terra. Da mesma forma, essa divindade é

simbólica das leis de causa e efeito e de bom comportamento; assim, seu papel é cuidar e

limitar os seres humanos. Alguns pesquisadores contemporâneos dizem que essa divindade é

a base do imperador universal (Chakravarti). Mais tarde, suas características e qualidades

foram transferidas para a Indra e, além disso, ele foi transformado em um personagem humano,

que é como surgiu o imperador universal Chakravarti, segundo afirmam.


Em resumo, as características ou essência dessa divindade é semelhante ao deus criador

Jeová da religião cristã. Entretanto, esse deus tem uma conduta muito severa e séria, e parece

tão sublime, que as pessoas não se sentiam próximas a ele. Assim, ele não satisfazia as

pessoas e gradualmente desapareceu, de modo que seu status também se tornou cada vez

mais baixo. Além disso, o Rigveda fala frequentemente desse deus como sendo associado à

chuva e a outras águas, então mais tarde ele foi identificado como um deus da água. Mais

tarde, ele se tornou o deus da água no Mantra Secreto Vajrayana.


3. Vishnu

Vishnu tem esse nome, que em tibetano significa "entrando de maneira permeante", porque ele

detém o poder de atravessar o céu em três passos. Vishnu é a divindade com a força e o poder

do sol, e é considerado nos Vedas como uma divindade extremamente importante. Mais tarde,

nos Puranas, ele foi considerado um dos três grandes deuses, juntamente com Brahma e Shiva ele

se tornou uma divindade muito importante. Isso ocorreu devido a mudanças em sua

natureza ou características. Antes disso, Vishnu não era mais que uma divindade que podia

atravessar o céu em três passos.


Dos "três passos", o primeiro é de onde o sol nasce no leste. Com o segundo, ele alcança o

zênite que o sol alcança ao meio-dia, e o terceiro é de onde o sol se põe no oeste. Quando ele

chega ao centro do céu ao meio-dia, este é o lugar onde os deuses e os ancestrais dos

humanos viviam felizes, pois todos acreditavam que depois da morte, eles nasceriam ali. Essa

era a maior prece e aspiração das pessoas do Período Védico. Por esta razão, Vishnu ganhou

um status cada vez mais elevado na mente das pessoas, que esperavam se tornar como o sol.


Assim, eles cantavam muitos elogios a Vishnu e faziam oferendas abundantes. Os deuses mais

importantes estavam relacionados com o sol e o céu.


4. A deusa Ushas

Uṣhas é uma deusa antiga, considerada a deusa do amanhecer. A palavra Eos em grego

antigo e Aurora¹ em latim são consideradas como tendo uma origem comum com Ushas.

Na época em que os arianos viviam na bacia dos cinco rios, a época do amanhecer quando o

sol se levantava todas as manhãs era especialmente bela, então quando as pessoas viam

aquela linda aparência, os poetas védicos não conseguiram resistir oferecendo-lhe louvores.


Assim, essa deusa se desenvolveu. Ela abriu a extensão do céu do leste, dispersou a noite, e foi

capaz de eliminar os perigos dos demônios e da escuridão.


Os cânticos a essa deusa nos Vedas são extremamente belos e abundantes. Diz-se que essa

deusa é amiga dos seres humanos, sempre com um sorriso radiante, como uma jovem donzela.


Seu corpo nunca envelhece, e é ela quem limita a vida humana. Os hinos védicos com a mais

bela poesia são elogios a Varuna, o Deus da Água, e os hinos com as mais belas imagens são

para esta deusa; não apenas na literatura indiana; mas também em muitas das mais belas

canções e poemas da literatura religiosa mundial.


II. Os deuses do ar

1. Indra

Além do deus do fogo, Indra é o deus que tem o maior número de hinos Védicos dedicados a

ele. Podemos entender a partir disto o quanto as pessoas daquela época o veneravam. Durante

o período védico, ele foi reconhecido como o deus mais poderoso e mais adorado, aquele que

protegeu o povo da Índia naquela época. Nos textos religiosos dos zoroastristas (adoradores

persa do fogo), Indra era ensinado como sendo um deus mau ou um deus das trevas. No

budismo, se diz que Indra é o mestre do palácio divino Vijaya. Um quarto dos hinos no Rigveda

são louvores à Indra, assim podemos ver o quanto Indra era reverenciado naquela época.


Entretanto, ainda é difícil identificar claramente as origens de Indra. Se olharmos para as

palavras dos hinos, Indra tem qualidades do céu, do meio e da terra, então é difícil dizer em qual

dos três níveis ele está incluído. Mas em geral se afirma que naquela época, Indra era uma

manifestação de vento e chuva na atmosfera, e como esta divindade não é encontrada em

outros panteões arianos que não os indo-arianos, Indra é um deus único na Índia.


Quando os arianos deixaram sua pátria e vieram para Punjab - uma região com extremo calor

- não sentiram tanta fé e devoção pelo deus sol como antes. Ao invés disso, o objeto de sua

devoção mudou para os deuses que podiam trazer chuva, vento e nuvens. Por essa razão,

1 Eos e Aurora são as deusas gregas e romanas do amanhecer.

podemos inferir que antes eles tinham devoção aos deuses dos céus, mas depois mudaram

para os deuses do ar.


Quando os arianos foram para a Índia, Indra ocupava o status mais alto entre os deuses, mas

não era um deus que existia desde o início. Ele era uma criança nascida do céu e da terra,

nascida para ser vitoriosa na batalha. Assim, Indra é o mais poderoso de todos os deuses,

aquele que mais gostava de beber álcool e lutar em batalha. Sua força física e flexibilidade

eram grandes e ele empunhava relâmpagos, flechas e ganchos como armas. Montando em

uma carruagem dourada puxada por dois cavalos, cercado pelos deuses Maruts, e derrotando

Vritra, o rei dos demônios. Além disso, os indianos o consideravam uma divindade guardiã e um

deus da guerra. Por tais razões, algumas das qualidades que descrevemos acima como as de

Varuna foram transferidas para a Indra, e ele acabou tomando a forma do rei dos deuses, o

Samraj.


2. Vayu, o deus do vento

Vayu é como o assistente da Indra. Ele sempre andou com a Indra em sua carruagem

dourada. Sua função era curar as doenças das pessoas e conceder longa vida.


3. Rudra, o deus tempestade

Quase não há cânticos à Rudra nos Vedas. Mais tarde esse deus da tempestade se tornou o

deus Maheshvara, uma das três grandes divindades indianas, sendo extremamente importante.


As qualidades desse deus são que ele tem o poder de enviar o perigo de doenças humanas e

animais, mas também a capacidade de curá-las e saná-las. Sua forma mudou de um deus

tempestade para a de Maheshvara, então a razão de chamá-lo de Bhairava (o terrível) é que não

só este Deus tem o poder do amor e da compaixão, mas também, como o deus tempestade,

tem o poder de enviar o perigo e o mal sobre os humanos.


O Karmapa terminou nesse ponto, apresentando os três deuses da Terra, Agni, Soma e Privthi,

mas adiou uma descrição detalhada dos mesmos para o quarto dia e ensinamentos.



Deusas, deuses e rituais védicos

Os ensinamentos anteriores abordaram a literatura do período védico, durante o qual o

Karmapa falou sobre os deuses do céu, bem como sobre os deuses do ar, ele agora continuou

com os ensinamentos de hoje, falando sobre os deuses da Terra.


III. Deuses da Terra


1 Agni འམ་མེ་ལྷ།

1. Agni, o deus do fogo

O Deus do Fogo Agni é um deus adorado pelos humanos desde os tempos antigos, e é

particularmente importante na Índia. Na literatura védica, Agni é reconhecido como uma

divindade extremamente antiga. Ele toma três formas, a do deus sol dos céus, Indra no meio, e

Agni na terra. Estes três deuses controlam os céus, o meio e a terra, e os três níveis são todos

de igual importância. Se alguém tivesse absolutamente que ser considerado o mais importante,

o mais imensamente poderoso seria Agni. Por esta razão, nos Vedas, o maior número de hinos

são louvores à Agni.


A origem de Agni está nos fogos usados nos pujas de fogo e no fogo usado na vida

cotidiana. Naquela época, as pessoas acreditavam que as oferendas podiam ser realmente

oferecidas às divindades através do fogo, portanto era como o que criava a conexão entre as

pessoas e os deuses. Por isso, o fogo é chamado de mensageiro dos deuses. Em resumo, o

fogo era considerado indispensável quando se fazia um sacrifício.


Os indianos consideravam Agni o mais jovem dos deuses que surgiu recentemente quando

um fogo era aceso esfregando duas varas de madeira uma contra a outra. Ele é considerado,

portanto, especialmente poderoso e majestoso. Isso se refere ao termo sânscrito para deus,

que é deva, e pode significar luz ou "para iluminar". Porque é através da luz que o poder dos

deuses se torna evidente, as pessoas consideravam que o fogo, em virtude de sua luz, tinha o

mesmo poder divino que o sol no céu. Assim como o sol tem a capacidade de iluminar tudo, as

pessoas pensavam que o fogo também tinha uma natureza divina; e como o fogo era

particularmente indispensável na vida diária, havia uma razão definitiva para as pessoas

adorarem o fogo.


Com relação aos benefícios de adorar o fogo, acreditava-se que ele tinha muitos poderes,

como o de dissipar a escuridão e as impurezas, bem como o de subjugar demônios, pelo qual

ele é chamado de Caçador de Demônios Raksohan. Durante o período védico, as pessoas

acreditavam ser importante fazer oferendas de fogo em suas casas, razão pela qual ele é

considerado a divindade principal ao fazer um puja de fogo em casa e é também conhecido

como Gṛhapati, o Senhor da Casa.


Como nos sacrifícios as oferendas são feitas às divindades por meio do Agni, ele também é

chamado Havyavahana, o detentor do sacrifício ou Duta, o mensageiro. Esse deus também tem

muitas funções, tais como governar os seres humanos, regular as leis do céu e da terra, assim

como o poder da onisciência. Além disso, Agni está ligado a alguns rituais do Mantra Secreto,

durante os quais se recita seu nome, se medita e se faz oferendas a ele.



2. Soma², o deus dos intoxicantes

2 Havia uma antiga bebida intoxicante chamada “soma” feita de plantas, e o deus é chamado

pelo mesmo nome.

Nesse contexto, é importante saber que os brâmanes gostavam de intoxicantes e pensavam

que por eles gostarem, os deuses também deveriam gostar, portanto seria bom oferecer álcool

e outros intoxicantes aos deuses.


Os deuses Soma, Agni e Indra eram considerados como tendo uma profunda conexão entre

eles. O poder intoxicante de soma era devido ao poder de Agni, e isso aumentou a força de

Indra para que ele pudesse realizar grandes feitos tornando-se especialmente corajoso e muito

forte. Assim, segundo a crença indiana, Indra obteve seu poder devido à soma. Em resumo, a

soma era uma bebida que o povo ariano bebia há gerações, e não havia ninguém entre os

deuses e ancestrais que não gostassem dela.


Soma não só era bebido pelos deuses, mas também era um presente dos deuses para os

humanos. Assim, quando os humanos bebiam este vinho dado pelos deuses, dizia-se que eles

podiam ter vidas longas e saudáveis. Devido a isso, o deus Soma estava ligado às esperanças

das pessoas para o futuro, o que também é expresso nos hinos à Soma. No final do Rigveda,

Soma também é considerado como o deus da Lua.


3. A deusa Prithvi, a deusa da Terra

Pṛithvi é uma emanação da terra que tinha o poder dos deuses no céu, por isso ela era muito

reverenciada pelos humanos. Considerando a Terra como uma deusa já estava presente há

muito tempo, mas mais tarde o status do Prithvi declinou muito. As pessoas consideravam que

o Pṛithvi era a mãe de todas as coisas e que todos os deuses nasceram quando os céus e a

terra se uniram. Entretanto, a terra é pisoteada, portanto, em comparação com o céu, fogo,

água, e assim por diante, as pessoas não consideravam a terra como elevada. Portanto, há

menos hinos para Pṛithvi nos Vedas.


Assim, Sua Santidade completou a apresentação dos deuses da Terra e continuou com uma

apresentação de outras divindades que não estão incluídas entre os deuses no céu, no ar ou na

Terra.


IV. Outras divindades

Os outros deuses sobre os quais Sua Santidade falou foram Yama, Sarasvati, Brihaspati, e

Purusha.


1. Yama

Antes de tudo, Sua Santidade explicou que precisamos saber que a Yama aparece nos textos

de Mahakala, em muitos rituais, e representa o Senhor da Morte. Quanto a como Yama é

descrito na literatura védica, ele não era originalmente um deus irado, mas depois as pessoas o

transformaram em uma divindade de cor escura e assustadora. No primeiro louvor à Yama nos

Vedas, ele é elogiado por aparecer como o sol que parte. A partida ou o pôr-do-sol é simbólica

da morte. Quando o sol se pôs, as pessoas pensaram no tema da próxima vida. Se houvesse

uma próxima vida, elas pensavam que deveria haver algum deus que governasse sobre o

mundo da próxima vida. Embora Yama tenha sido primeiramente relacionada ao pôr-do-sol, nos

Vedas, ele mudou para ter características humanas e as pessoas o consideravam o rei dos

mortos, ou seja, o rei do lugar para onde as pessoas iriam após a sua morte.


Naquela época, eles acreditavam que quando as pessoas boas morrem, elas alcançavam um

novo corpo que irradiava luz e iam para um céu de luz e felicidade. Eles permaneceram ali na

presença do Rei Yama, desfrutando de uma felicidade sem fim. Assim, naquela época, Yama

era considerado o rei benevolente de um reino de felicidade. Foi somente mais tarde nos textos

do Puranas que ele se tornou uma divindade cruel que punia os malfeitores após a morte.


Desde a antiguidade, Yama tinha sido desde os tempos antigos um rei que apareceu em um

tempo livre de doenças e sofrimentos. Então, à medida que os delitos e o sofrimento

aumentavam gradualmente e as pessoas ficavam com medo de morrer, aquele rei ancião levou