Como Praticar no Século 21?

 

Os ensinamentos dados pelo Gyalwang Karmapa em Nova Déli  focavam na deidade conhecida como Akshobhya ou Mitrukpa em tibetano (o Impertubável). Nos primeiros dois dias, o Karmapa apresentou a linhagem da prática de Akshobhya e contou a história de como ele se tornou completamente desperto. No terceiro dia, ele concedeu o empoderamento. Houve também oportunidade para perguntas e respostas.

 

O Karmapa começou, notando que existe uma longa história da prática de Akshobhya dentro da linhagem Kagyu. Em particular, é uma das práticas centrais para a tradição Drukpa Kagyu, cujos mestres compuseram muitos textos sobre a prática. Voltando à história de Akshobhya, O Karmapa narrou que há anos atrás, ele era o monge que perguntou ao Buddha conhecido como Olhos Imensos, "Qual é a prática mais importante para alguém no caminho do bodhisattva? "O Buddha Olhos Imensos respondeu, "A habilidade de permanecer imperturbável pelas emoções negativas, tais como raiva ou ódio."

 

Quando todos os monges ouviram isso, eles ficaram muito inspirados e repletos de alegria. O monge que se tornaria Akshobhya fez, então, um voto, dizendo, "de hoje em diante até eu atingir a budeidade, eu não odiarei nenhum ser vivo." Essa era a primeira das oito grande aspirações que o monge fez e a crucial que o levou ao despertar completo.

 

O Karmapa sugeriu que ao refletir sobre este voto,  deveríamos perceber o quão corajoso Akshobhya foi. Porquê? Pessoas ordinárias como nós não temos ideia de onde iremos para na nossa vida futura, ao menos temos certeza sobre o que irá acontecer no futuro desta vida. Então pode ser, ele disse, que nós não tenhamos a coragem para fazer o voto de evitar o ódio durante a nossa vida. Isso é realmente muito difícil de se fazer, mas como somos seguidores do Buda, então precisamos tentar. Podemos iniciar com um período curto de tempo, como três horas, e então estendê-lo para três dias, três meses, três anos, e assim por diante.

 

Geralmente no budismo, o Karmapa comentou, o significado da palavra raiva é ligeiramente diferente daquele da palavra ódio. A raiva é um impulso temporário, enquanto o ódio é mais difuso, penetrando fundo em nossos corações até nossos ossos. Portanto, devemos aprender a ser como Akshobhya e praticar por estágios, avançando passo por passo. Apenas falar que nós não iremos odiar, contudo, não é suficiente, instruiu  o Karmapa. Precisamos encontrar razões persuasivas e meios efetivos para trabalhar com o ódio para que eventualmente este seja completamente dissipado. E essas razões não podem ir apenas dos livros ou de nossos professores: nós temos que olhar com clareza dentro de nós  e nos persuadir.

 

O Karmapa falou sobre como desafiar a nós mesmos, porém sem muita pressão: podemos praticar como uma criança brincando. Ele também sugeriu focar na paciência (ou tolerância), o remédio tradicional para a raiva. Geralmente a paciência é entendida em três aspectos: paciência com alguém que te prejudica; paciência que pode tolerar o sofrimento; e paciência que não teme a profunda verdade do Dharma.

 

O primeiro tipo pode se referir a situações em que nos sentimos injustiçados ou que nos ofende. Quando isso acontecer, nós devemos ser pacientes. Primeiro podemos observar "os inimigos" que nos prejudicaram e perceber se eles são capazes de controlar suas emoções, ou são as emoções que os controlam. Se eles são tomados pelas suas emoções e são muito ansiosos por exemplo, então é são suas emoções que causaram o mal, não a pessoa, portanto não precisamos nos chatear com eles.

 

Nestes tempos existem muitos terroristas no mundo, mas eles não nasceram terroristas. O que os tornou terroristas foi seu meio. Portanto, isto é uma situação temporária, como nuvens cobrindo o sol, e por isto você não pode culpar o sol. Devemos desenvolver um entendimento mais profundo dessas situações temporárias e não fazer julgamentos baseados meramente nas aparências das coisas.

 

O Karmapa esclareceu que nestes tempos difíceis, a razão para a realização de cerimônias, retiros, e pujas é pelo karma negativo considerável criado pelos seres humanos através do uso  indevido da tecnologia, ciência e economia. E a nossa força é além da nossa imaginação -- nós já temos o poder de destruir o planeta, mas não percebemos isso.  A prática de Akshobhya é melhor e mais preciosa maneira de purificar este karma negativo.

 

Falando sobre o voto de bodhisattva, o Karmapa descreveu os dois tipos de bodhichitta -- aspiração (desejando ajudar) e engajada (a atividade propriamente dita) -- e resumiu o voto como nunca desistir de nenhum ser vivo. O mais importante, ele disse, é que nós temos que agir, não apenas desejar. E quando estamos engajados na atividade, devemos manter um estado mental positivo, nunca perdendo confiança em nós mesmos. Ao sermos pacientes e perseverando ao nos deparar com esse mundo complexo e tenebroso, iremos consolidar nossa força e aumentar nossa capacidade de beneficiar os outros.

 

Perguntas e Respostas

 

Pergunta: Eu sou um discípulo do 4º Jamgon Kongtrul Rinpoche. Devido à situação atual (dele ter deixado o monastério), como continuo minha prática com fé?

 

O Karmapa responde: Como devo colocar isso, não é nem bom nem ruim na maneira que algumas pessoas estão pensando sobre isto. Eu fui o mais afetado quando isto aconteceu, como muitos de vocês sabem. Após ter observado tudo, eu não estava muito preocupado com isso. Para ser sincero, as vezes eu sinto que eu o vejo de uma forma diferente que os outros, porque eu sempre tenho simpatia por ele. Desde que estive lá, eu o compreendo e simpatizo, antes como um ser humano.

Mas eu não acho que devemos perder nossa fé apenas porque Rinpoche fez sua escolha. Não é necessário perder a fé. Sobretudo eu desejo que ele não desista dos seres vivos e da linhagem, pois com isso tudo vai ficar bem. Este é meu principal anseio. Cabe ao Rinpoche tomar a decisão de como ele irá efetuar isso.

 

Não dê muita atenção sobre como você se sente ou pensa sobre as coisas agora, imaginando que elas tem que ser de uma maneira ou de outra. Eu não faço isso e sinto que você não deveria também. Especialmente porque um bodhisattva tem maneiras diversas  para beneficiar os seres vivos, e a coisa mais importante é que ele tem a intenção e a vontade de ser um bodhisattva e de beneficiar seres senciente. Se ele tem isso, então nada mais é motivo de preocupação. Este é meu pensamento e atitude em relação ao Rinpoche.

 

Por outro lado, ele é um mestre de linhagem e uma encarnação de Jamgon Kongtrul Rinpoche. É uma grande perda para a linhagem, apesar de não podermos realmente afirmar que é uma perda imensa  uma vez que que não sabemos o que irá acontecer no futuro. A curto prazo, porém, é uma perda imensa especialmente para o monastério do Rinpoche, uma vez que eles não esperavam por isso. Como vocês sabem, o 3º Jamgon Rinpoche morreu muito jovem, e agora esse 4º Jamgon Rinpoche os deixou também muito jovem, portanto eles estão sofrendo muito em seus corações.

 

Pergunta: Como devemos montar um altar em nossas casas?

 

O Karmapa responde: Eu sempre quis falar sobre esse assunto uma vez que muitas pessoas perguntaram como montar um altar. Algumas pessoas acreditam no tradicional Mahayana chinês, e outras pessoas acreditam no budismo tibetano, portanto nesse caso, você precisa estar ciente das diferentes imagens quando você configura um altar. Não é bom criar conflito ou ter uma discussão sobre isso.

 

Hoje em dia é fácil encontrar imagens de inúmeras deidades Vajrayana mas precisamos ter cautela, ele disse. Por exemplo, os deidades protetoras são confidenciais e não somos permitidos exibi-las para qualquer um. Mostrá-las como um propaganda viola o princípio do Vajrayana. Isso também é verdadeiro pra as deidades de anuttara yoga, que não devem ser exibidas para qualquer um.

 

Se queremos montar um altar, podemos colocar nele imagens de deidades famosas, como Buda Shakyamuni, Amitabha, Avalokiteshvara, Guru Rinpoche, Tara, Bhaisajyaguru (Buddha da Medicina), e Akshobhya. Estes todos são amplamente reconhecidos e simples. Mas se estamos engajados em uma prática especial de deidade, é melhor colocar a imagem dentro do nosso texto ou repousando no suporte de texto.

 

Também precisamos ter atenção para a foto de nosso professor. Se você tem uma foto minha, por favor não a coloque no altar junto com as imagens de bodhisattvas. O mesmo é válido para outros professores. Se você quer ter uma imagem do seu professor, então por favor pendure a imagem numa parede ao lado. Não é apropriado colocá-la no meio do altar o misturá-la com réplicas de bodhisattvas. Existem tipos diferentes de professores (lamas ou gurus) : alguns são iluminados, e outros não são, mas eles ainda podem ser professores qualificados. Se você você colocar a foto de professores que não são iluminados junto com imagens de bodhisattvas, não é benéfico para os professores, mesmo que possamos vê-los como sendo o Buda.

 

Para ilustrar este ponto, o Karmapa relatou a história de Maudgalyayana, que junto com Shariputra foi um dos discípulos mais famosos do Buda. Maudgalyayana possuía os seis tipos de cognições superiores, o que, entre outras coisas, o permitia se mover por aí livremente. Uma vez ele foi aos reinos infernais e viu um mestre indiano que havia renascido lá. Este mestre o suplicou  para que levasse uma mensagem para seus discípulos. Eles haviam construído uma estupa contendo os ossos do mestre e muitas pessoas a estavam circunambulando, o que causava grande agonia ao mestre, e então ele estava pedindo para que parassem.

 

Quando Maudgalyayana entregou a mensagem do mestre para os discípulos, eles ficaram indignados: "Você nem ao menos conhece nosso grande mestre e apenas quer insultá-lo." Eles o bateram até a beira da morte e pouco tempo depois ele faleceu. Como pode alguém possuindo poderes psíquicos como os de Maudgalyayana acabar assim? Ele se lembrou que ele havia espancado alguém até a morte numa vida passada, criando o mesmo karma negativo na sua vida atual. Podemos perceber, portanto, que por mais excelente que fosse seus poderes psíquicos, nunca poderiam ser mais poderosos que seu karma.

 

arranjar as deidades na ordem correta - o Buddha, Dharma, Sangha, Guru, Yidam, Dakinis e Protetores. Embora todos os seres são iguais, na aparência eles necessitam tomar seu devido lugar. É claro, quando estamos arrumando nosso altar, não é sempre possível consultar nosso professor, então necessitamos de um conhecimento básico, um senso de como as coisas deveriam ser. A não ser que seu professor te instruiu ao contrário, é mais seguro colocar a imagem do guru à parte.Por estes motivos, eu sinto que é melhor não colocar a foto ou o nome de um guru, ou para esse questão, os nomes de patrocinadores nos altares. Isso não é apropriado. Por favor preste atenção ao colocar fotos e imagens de deidades tântricas no altar também. Como na Árvore de Refúgio, existem regras sobre como 

 

No último dia dos ensinamentos, o Karmapa bondosamente concedeu o empoderamento de Akshobhya aos alunos afortunados que participaram dos ensinamentos, passando estes três dias preciosos na presença do Karmapa. 

11-13 de Novembro, 2016 - Nova Deli, Índia

 

 

 

 

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