O que nos impede de ter um coração compassivo?

 

 

Hoje eu vou dar para vocês a transmissão de leitura oral do mantra de seis sílabas do nobre Avalokiteshvara e algumas explicações sobre isso. O amor e a compaixão, em sua essência, são nomes que representam a prática de Avalokiteshvara. Aquilo que chamamos de prática do amor e compaixão não é tendencioso ou parcial em relação a nenhuma religião ou raça. Para todas as pessoas que aspiram pela felicidade, o cultivo do amor e da compaixão é necessário e é algo que todos podem fazer. Não importa a que religião ou raça pertençamos, todos desejamos a felicidade e queremos nos livrar do sofrimento. Essa é, então, uma prática que irá beneficiar as pessoas que pensam dessa forma.

 

 

As práticas de bondade amorosa e da compaixão são imensamente relevantes para todos. Além disso, o treinamento dessas qualidades fornece uma ligação entre todas as religiões e áreas de nossa sociedade mundial. Não importa se somos pessoas que ensinam um caminho espiritual ou desenvolvemos outras atividades; todos podem praticar o amor e a compaixão, mas é importante que isso seja feito de maneira imparcial.

 

Eu, por exemplo, sou budista, mas tenho também que viver como um membro de uma comunidade mundial mais ampla. Preciso ser um membro da sociedade. Nesta sociedade, o budismo não é a única tradição espiritual. Existem várias formas diferentes de religião e espiritualidade e diferentes tipos de pessoas - aqueles que têm inclinação por enfoques religiosos ou espirituais e aqueles que não têm essa inclinação. Além disso, existem diferentes nacionalidades e diferentes religiões e filosofias não religiosas que as pessoas seguem. Nossa comunidade mundial é vasta.

Assim sendo, é importante para nós sermos respeitosos com todos os tipos de tradições religiosas e espirituais, não colocando-nos como "adversários" de nenhuma outra tradição. A forma de realizar a felicidade no mundo é fazer um trabalho significativo em nossas vidas, com uma motivação positiva que encara todas as pessoas e todas as tradições como iguais.

 

 

Acredito que os humanos se distinguem dos outros tipos de seres sencientes por terem uma capacidade natural de se conectar com uma inteligência penetrante e agir de maneira não violenta, com bondade amorosa e compaixão. Desde o momento em que nascemos, estamos constantemente buscando a felicidade, pensando em formas de nos tornarmos felizes e livres do sofrimento e ativamente tentando fazer com que esses desejos se realizem. Penso que a propensão à bondade amorosa, compaixão e não violência que demonstramos quando seguimos nessa busca, demonstram por muitas maneiras como os humanos são únicos.

 

Quando nascemos e quando somos crianças, sejamos ou não poderosos, somos sempre naturalmente motivados: agimos de forma a buscar a felicidade e tentar evitar o sofrimento. Acredito que os humanos são diferentes de outros seres, em virtude dos muitos sinais que exibem de ter uma natureza não violenta e repleta de amor e compaixão.

 

 

Por exemplo, nós humanos rimos e sorrimos, coisas que os animais não fazem. Como nós, eles podem chorar e gemer, mas os humanos são diferentes, pois quando estão felizes, automaticamente sorriem e riem; podemos ver claramente quem está feliz por sua expressão exterior. Isso é uma característica única dos humanos que os distingue dos animais, e acredito que é uma das destinções que mostram que nossa natureza humana possui as qualidades do amor e da compaixão.

 

 

Para qualquer tipo de ser senciente continuar existindo, os membros dessa espécie precisam ter afeição mútua, e precisam apoiar-se uns aos outros. Experimentamos isso diretamente em nossas vidas. Sendo assim, também para os seres humanos, para que possamos sobreviver como tais, precisamos cultivar e sustentar as conexões entre nós de amor, compaixão, não violência e altruísmo. Essas conexões não apenas são as condições mais importantes para a nossa sobrevivência, mas também as condições mais importantes para dar um sentido a nossas vidas. Se nos concentrarmos em nos assegurar que estas conexões estejam presentes, isso em si mesmo será o suficiente.

 

 

Ao mesmo tempo em que entendemos que a bondade amorosa e a compaixão são tão importantes, também achamos bem difícil incorporá-las genuína e completamente em nossas experiências. Acredito que para tornar poderosos e genuínos nosso amor e compaixão, precisamos superar obstáculos difíceis. Necessitamos cultivar verdadeiramente as sementes de amor e compaixão que todos nós já temos em nosso interior. Isso remete a uma postura mental de desejar libertação do sofrimento e a conquista da felicidade verdadeira. Todos os humanos, tenham status elevado ou baixo, possuem isso. Mesmo se não tivermos uma boa quantidade do amor e compaixão genuínos, teremos ao menos alguns elementos de afeição e bondade amorosa por nós mesmos e pelos outros, e é importante cultivar mais esse potencial para fazê- lo frutificar-se completamente.

 

 

Entretanto, o que nos impede de cultivar mais nosso coração de bondade amorosa e compaixão são as aflições mentais, especialmente a raiva. Emoções como essa, causam grande prejuízo em nosso caminho rumo à compaixão autêntica. É crucial estabilizarmos nosso amor e compaixão em face de seus adversários - as aflições mentais, tais como o ódio. Essas aflições perturbam nosso cultivo do amor e compaixão e podem perturbar suas expressões e nossas experiências.

 

Por essa razão, precisamos examinar com honestidade nossas emoções e perguntar-nos: "Essa emoção está me beneficiando ou não?" Precisamos empreender uma análise introspectiva dessa questão. Se nossa investigação revelar que essas emoções negativas não nos beneficiam, então sua natureza será claramente problemática. Então, o próximo passo de importância fundamental é realmente reconhecermos essas emoções pelo que realmente são - problemas e deficiências.

 

 

Vamos examinar o exemplo da raiva. Todos podemos ver claramente que a raiva implica em muitos problemas e deficiências. Do ponto de vista do budismo, raiva e agressão não apenas produzem uma série de resultados desagradáveis nessa vida, mas também nas próximas. É claro que esse último aspecto só se aplica para aqueles que realmente acreditam na existência de vidas futuras, mas a descrição das deficiências da raiva é também relevante para aqueles que não têm essa crença, mesmo vendo a questão apenas pela perspectiva dessa vida - a raiva tem muitas falhas. Por exemplo, quando ficamos raivosos, nossa face muda e assumimos uma aparência assustadora. Tornamo-nos desagradáveis para os outros; mesmo aqueles que nos são próximos e nos amam acham difícil permanecer conosco. Como a nossa raiva provoca medo nos outros, ela atrapalha enormemente nossos relacionamentos.

 

Vejamos um exemplo. Muitas pessoas têm medo de cobras. Elas podem parecer inofensivas, mesmo pacíficas, como se não tivessem nenhum poder. Mas, por outro ponto de vista, as vemos como seres desagradáveis por causa de sua aparência quando ficam enraivecidas. Torna-se imediatamente evidente que elas estão com raiva pelo seu comportamento feroz. A razão pela qual temos medo de cobras é o fato de que sua agressão surge de uma maneira tão abrupta e intensa.

 

 

Quando refletimos claramente sobre as deficiências da raiva e as qualidades positivas da bondade amorosa, somos capazes de ver a raiva como sendo uma falha. Da mesma forma, podemos reconhecer o amor e a compaixão como sendo qualidades positivas. Fazendo isso, nossa prática de amor e compaixão se torna forte, firmemente ancorada em nossas mentes, e nos sentimos contentes por praticá-las. Quando temos prazer treinando-as, nos esforçamos muito nesse treinamento. Quando nos esforçamos muito nesse treinamento, os resultados que experimentamos se tornam muito mais poderosos. É, então, muito importante ter discernimento sobre o que é benéfico e o que é prejudicial .

 

 

Sem esse discernimento - a firme convicção de que nossas aflições mentais são falhas a serem evitadas - e sem esforços resolutos para abandoná-las, nossa prática de compaixão pode ser afetada pelos mesmos velhos hábitos, mesmo se tivermos as melhores intenções. Por exemplo, se formos tratados de forma raivosa por alguém enquanto ainda não estivermos suficientemente habituados com esta prática, poderemos responder encarando essa pessoa de modo negativo e desenvolvendo um ressentimento em relação a ela. No entanto, se tivermos um entendimento profundo sobre os aspectos problemáticos de nossas emoções negativas e formos capazes de encará-las como sendo doenças, não vamos mais de encontro aos agressores que nos prejudicam como sendo maus por si mesmos. Em vez disso, vamos entender que esses agressores não estão agindo por seu livre arbítrio e com autocontrole- eles são afligidos pela doença de suas emoções negativas, sendo controlados por elas. Uma vez que enxergarmos claramente essa situação na outra pessoa, ficaremos livres de nosso ressentimento por eles. Da mesma forma, nossa prática de bondade amorosa e compaixão vai ser menos afetada por seu comportamento raivoso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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