Canção da Morte e da Impermanência

Este texto é um trecho do livro "Mountain Dharma ", um ensinamento dado por Khenpo Karthar Rinpotche a respeito da obra de Karma Chagme Rinpotche, que por sua vez compôs este texto , a pedido de um aluno, Tsondru Gyamtso, enquanto fazia um retiro nas montanhas.

 

 

Karma Chagme Rinpotche começa esta canção com NAMO GURU, “homenagem ao Guru”, e continua se dirigindo a Karma Tsondru Gyamtso, a pessoa que solicitou a composição do texto, “Ouça, Karma Tsondru, se você realmente permanecerá em retiro, então é importante e necessário que você se lembre da impermanência e da morte, que, embora seja descrita como uma preliminar, é importante fazer o tempo todo.” A recordação da impermanência e da iminência da morte é introduzido no início de qualquer curso de instrução, e, portanto, é considerado uma preliminar, mas isto é simplesmente pela ordem da sequência da instrução. Chagme Rinpontche nos lembra que é necessário manter constantemente esta recordação. “Se você não se lembrar da morte do fundo do seu coração, sua entrada no portão do Dharma terá sido insignificante.”

 

Karma Chagme diz que há pessoas que aceitam a ordenação do noviciado por causa da comida. Também existem pessoas que aceitam a ordenação final por causa de posição social, de modo que não tenham que sentar ao final da fileira com os noviços. Tais pessoas são apenas o reflexo, ou imagens vazias, dos ordenados, porque eles não têm Dharma. Mesmo se você adquirisse todo o conhecimento artístico e cientifico que existe, você poderia estar fazendo isso simplesmente para ficar rico e famoso. Mesmo se você permanecesse em retiro sua vida toda, praticando intensamente, você poderia estar simplesmente fazendo isso para conquistar o poder do mantra para pacificar doenças e demônios. Em outras palavras, você pode praticar com a motivação de alcançar algum benefício nesta vida, o que não seria uma causa de despertar ou beneficiar vidas futuras. Além disso, “Você poderia até mesmo manter seus votos e seu samaya meramente pelo desejo de não se envergonhar na presença de outros. Se o que quer que você faça é feito somente para seu próprio benefício ou por um propósito nesta vida, você falhou em recordar a impermanência.”.

 

Todas as coisas compostas são, em sua mais essencial característica, impermanentes. Mesmo aquela que consideramos a mais resistente e estável de todas, por exemplo esses bilhões de mundos, serão por fim destruídos por fogo, água ou vento. Se mesmo o corpo vajra do samyaksambuddha deve demonstrar o morrer, então qual a necessidade de afirmar que nossos patéticos corpos humanos, o resultado de tão pouco mérito, irão morrer? Em outras palavras, se o próprio Buddha deve exibir a morte, então obviamente indivíduos comuns como nós definitivamente irão morrer. Se mesmo poderosos indivíduos como Brahma, Indra e Chakravartins morrem, então qual é a necessidade de dizer que todos os outros seres morrem? Em comparação com seres tão poderosos, nós somos como insetos; nossas vidas são fracas.

 

Não apenas é definido que iremos morrer, mas a vida humana é de duração indefinida. Especialmente agora, nesta era de degeneração, Chagme Rinpotche diz “Há muitos que não chegam os quarenta. Todos, do mais sabido, o mais moral, o mais benevolente, e o mais poderoso, como reis e rainhas, até os menos poderosos, como os pedintes e por aí vai, morrerão. Ninguém tem a habilidade para permanecer.”.

 

Usando a palavra tibetana kye ma, que significa “oh” e é uma expressão de grande tristeza, Chagme Rinpotche continua: “oh, Tsondru Gyamtso, todos sabem sobre a morte, claro, mas é o pensamento de que não precisamos nos preocupar com ela que nos engana. Ilude a todos. Parece que eu mesmo sou iludido por isso. Você deve ter cuidado para não ficar se enganando por pensar que não precisa lembrar da morte.”

 

Existem vários métodos que podemos usar para nos lembrar de que não somos exceções da morte. Quando souber que alguém morreu, pense nisso como um sinal da sua própria futura morte. Quando souber que algum jovem morreu, nos recordamos que não há certeza sobre a duração da vida humana. Quando você vê um cadáver ou ossos, quer seja humano ou animal, lembre-se que isso é a natureza de seu próprio corpo. Quando você souber que alguém morreu apesar de todos os esforços de um tratamento médico, recorde-se que a medicina não pode evitar a morte para sempre. Quando você souber que alguém morreu apesar de todos os rituais realizados para seu benefício, recorde-se que nada pode evitar a morte para sempre. Na verdade, somos como viajantes que se hospedam num hotel por uma noite apenas. Lembre-se de que passaremos por esta vida rápido assim. Lembre-se de que a morte é certa.

 

Considere, além disso, que mesmo se você acumular um oceano de riquezas, você tem o poder para levar alguma delas com você como provisão após a morte? Mesmo se você tem centenas ou milhares de funcionários a sua volta, você tem o poder de requisitar a ajuda de algum deles após a morte? Mesmo se você acumular um exército privado ou estatal com milhões de pessoas, é possível usá-lo para te impedir de morrer? Mesmo se você pudesse encher o mundo de comidas e riquezas e possuir todas elas, você poderia levar a menor migalha delas com você após a morte?

 

Nós nunca sabemos quando iremos morrer. É sempre uma surpresa, como um raio vindo do céu e nos atingindo. Karma Chagme diz “Quando acontecer, atsamay! Ai!” considere a agonia da morte. Mesmo cercado por todos os seus amigos e família, você não consegue dividir esta experiência com eles. Mesmo se as pessoas que te cercam quando você está morrendo quiserem te aliviar de seu sofrimento, eles não tem a habilidade de fazer isso e você não tem a habilidade de fazer com que eles tenham isso. Lembre-se que na hora da morte nada que você realizou em vida pode te ajudar: nem suas posses, nem seus amigos e nem sua família.

 

Além disso, quando os elementos se dissolvem na hora morte, nenhuma das desconcertantes e assustadoras experiências que você passa serão aliviadas por sua inteligência ou clareza mental. As várias aparências do bardo são como a experiência de um criminoso que foi capturado e colocado na cadeia. É aterrorizante. Ele diz “É horrendo e é horrível. Ai!”. Você é jogado em um ambiente não familiar para você e está completamente sozinho. Em tal situação, o que você faria? Você teria algum senso de direção? Apesar de você ter desenvolvido uma intenção durante sua vida de renascer em um certo reino, não há garantias que você pode fazer isso. Uma vez que você está no bardo, você reage com medo, você entra em pânico. Você não tem ideia de onde está ou para onde ir.

 

Karma Chagme adverte “Quando você está no tribunal de Yama, mentiras são inúteis.” Em outras palavras, quando você está no bardo, você tem a experiência como se estivesse sendo julgado por Yama, o Deus da Morte, pelo que você fez durante sua vida. É dito que Yama é onisciente. Você não pode mentir para ele. Você não pode afirmar que fez algo que não fez ou que não fez algo que fez. “Yama vê tudo no pequeno reflexo de seu espelho. Tsondru Gyamtso, de agora em diante, aja e viva de maneira que não terá medo ou vergonha nesse dia.”

 

Isto conclui “A Canção da Morte e da Impermanência”, que é uma provisão necessária para permanecer em retiro.

 

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