A fala do 17° Karmapa sobre vegetarianismo/não comer carne; tal como traduzido simultaneamente por Ringu Tulku Rinpotche em 3 de janeiro de 2007, dia da lua cheia, Bodhgaya, Índia, durante o 24° Grande Monlan Kagyu.
Nota do Editor: Isto é uma transcrição de uma fala do XVII Karmapa. Cuidado, existem algumas omissões e/ou enganos inevitáveis no conteúdo, inerentes às traduções simultâneas em múltiplas linguagens através de um canal de rádio FM. Por ser uma fala tão importante, a Kagyu Monlan Internacional, através do Lama Tchodrag, pede que seja feita um completa retradução que vai ser divulgada logo que esteja disponível.
Como eu tenho uma meia hora, quero falar sobre ser vegetariano. Não é fácil falar muito sobre ser vegetariano, sobre desistir de comer carne. Acho que é muito importante saber como pensar sobre comer carne e como colocar isto em prática. Agora devo começar a falar, porque esta meia hora já vai acabar. Para começar, vamos dizer algumas preces. [Cânticos]
Geralmente, a respeito dos que são ordenados, se você perguntar se carne é permitida ou não para monges, algumas pessoas dizem que não é permitida porque se há pessoas que comem carne, então haverá pessoas que vão matar estes animais, e se não há ninguém comendo carne, então não haverá ninguém preparando carne. Desta forma, comer carne é muito relacionado com matar e desta forma o ato negativo de matar é muito relacionado a comer carne. Agora, se isto é verdade ou não é algo diferente... Se existem pessoas que usam pérolas, então as pessoas que usam pérolas causam a morte das conchas. E também as pessoas que usam algumas espécies de roupas, pessoas que usam brocados – seda é também feita por certos animais ou certos insetos – então qualquer um que usar estar roupas ou qualquer coisa que venha dos animais [também está matando animais].
E também se não há ninguém que coma carne, então como resultado de comer coisas como grãos e coisas parecidas, isto também causa montes de insetos sob a terra virem para a superfície e então todos estes seres vivendo na superfície da terra vão para baixo e isto causa a morte de muitos seres.
Porque existem carneiros, vão haver pessoas matando os carneiros. Então, desta forma ser um carneiro é também um problema, uma espécie de fonte de atos negativos. [Então] apenas ser uma causa não pode ser a mesma coisa que cometer o ato de fazer coisas negativas.
Existiu uma pessoa na China que costumava matar porcos. Cada dia ele costumava matar um porco e isto deixava sua espada vermelha. Algumas vezes ele pensava, “Por que eu deveria fazer isto? Cada dia estou matando um porco”. E ele pensava, “Não é porque eu queira matar o porco, mas porque outras pessoas querem comê-lo e precisam do porco, e é por este motivo que eu estou fazendo isso”, e assim ele se consolava e pensava que o que estava fazendo não era tão mau.
Existia um monastério próximo e no monastério existia um grande sino e a cada manhã quando o sino tocava ele se levantava e ia matar um porco. Uma manhã ele dormiu demais e acordou tarde e quando ele foi atrasado matar seu porco, a porca que ele deveria matar havia parido dez porquinhos. Então, porque o sino não havia tocado nesta manhã, ele foi perguntar ao monge principal por que nesta manhã o sino não havia tocado. E o monge disse para ele que havia tido um sonho nesta noite e que no sonho ele encontrou dez seres e que eles vieram e perguntaram ao monge, “Por favor, salve dez de nós”. Então o monge perguntou, “Como fazer para salvar vocês, porquinhos?”. E os porquinhos disseram, “A única coisa que você precisa fazer é não tocar o sino nesta manhã e assim você vai salvar a todos nós”. Então o monge falou para o açougueiro, “Por isso não toquei o sino”. Quando o açougueiro ouviu isso ele ficou muito emocionado e parou de matar porcos daquele momento em diante.
O que estou dizendo é que tocar um sino se tornou uma causa para matar os porcos, e desta forma algumas vezes também pode acontecer que nós deixemos de tocar um sino porque alguém poderia matar um porco. Então apenas ser uma condição não pode se tornar a causa real do problema. Isto não é lógico, mas se o Buda deixou os monges comerem carne ou não... no Vinaya é mencionado que existem algumas maneiras de poder comer carne, e certas espécies de carne não podem ser comidas e é também mencionado que estas espécies de carne que normalmente não podem ser comidas, podem ser comidas em algumas circunstâncias; existem coisas como essas.
Mas de forma geral é muito importante, eu acho, no Mahayana, não comer carne. No Vinaya se fala sobre as três modos de formas puras de se fazer carne, e que se ela for livre de três modos de [palavra incompreensível], então se pode comê-la. Por exemplo, se o animal não for morto para você, e coisas deste tipo. Mas por você ser tão apegado e ter tamanho desejo pelo gosto da carne, você [pode não] saber se esta carne foi especialmente dedicada a você ou não. Algumas vezes pessoas são tão apegadas à carne que elas pedem a outras pessoas, “Por favor, me dê alguma carne”.
Quando eu era jovem, era também muito apegado. Eu gostava muito de carne. A carne terminava muito rápido. A carne da administração do monastério terminava muito rapidamente mas algumas vezes a carne do monge ficava lá porque os monges eram mais cuidadosos. Então eu pedia que me mandassem alguma carne da cozinha dos monges. Por eu comer carne, influenciava outras pessoas a também comer carne. Se gosto de carne, pessoas à minha volta são influenciadas por mim, porque eu dou carne. Eu dizia, “Gostaria de comer alguns pastéis de carne; vamos conseguir alguns pastéis”. Então outras pessoas comiam pastéis de carne.
Desta forma, o Buda disse que os Bodhisattvas não deviam comer nenhuma carne. Porque temos um apego tão forte e inclinação ou tendência a comer carne, então para os Bodhisattvas iniciantes é muito bom não comer carne. Quando você vai ao restaurante e diz, “Me dê alguma carne de galinha”, então você não sabe se eles já tem alguma galinha preparada ou vão matar a galinha. Então se diz que o Bodhisatva não deve comer carne. É como se diz.
E quando falamos sobre Bodhisattvas aqui, não estamos falando sobre os grandes Bodhisattvas como Tchenrezig ou Tchagna Dodje, e grandes tipos de Bodhisattvas que estão nos bhumis superiores, mas sobre Bodhisattvas comuns como nós, que podem ser chamados de Bodhisattvas que querem trabalhar para o benefício dos seres sencientes. De acordo com o Bodhisattvayana, mesmo que a carne seja pura sob as três formas como é permitido no Vinaya, mesmo estes tipos de carne, os Bodhisattvas ou os Bodhisattvas iniciantes não deveriam comer. Por nós termos demasiado apego ao sabor, vamos cometer enganos, então é bom não comer carne.
Desta forma, foi proibido comer carne no Modo de Vida do Bodhisatva. Quando se diz isto, não quer dizer que por ser a carne permitida no Vinaya, o Vinaya não seja bom. Não é assim. É porque temos que ver cada ser como nosso próprio filho, então quando comemos carne é como se, apenas pela comida estejamos desistindo dos seres sencientes que se espera que sejam queridos por nós como nosso próprio filho. É então como se essa forma de usar a carne para nossa comida fosse não apenas algo que é proibido ou desestimulado do ponto de vista do Bodhisattva, mas também alguma coisa que é vista como negativa do ponto de vista do Shravakayana.
Carne que você tenha visto ou ouvido ou que você tenha dúvida sobre se o animal foi ou não morto para o seu consumo, esta não é pura. Carne que não seja morta para você, como dissemos antes – as três razões – mesmo se ela não é morta para você e você não tenha visto nem ouvido e não tenha dúvidas que ela não foi morta para você, mesmo assim não é permitido comê-la do ponto de vista do Modo de Vida do Bodhisatva. Mas no Tibet, é claro, normalmente comemos a carne que é dedicada a nós. No Tibet, se um grande lama ou algum outro lama vai a uma aldeia, eles [na aldeia] vão imediatamente matar um carneiro ou um iaque e então o Lama recita alguns mantras e acha que está tudo bem. Isto não é bom. Mesmo se o Lama for muito bom e achar que está certo, não está certo porque o Buda disse que não se deve comer nenhuma carne que tenha sido especialmente dedicada a você ou especialmente morta para seu consumo.
Existiu um lama em Amdo, um Lama Djonang, e uma pessoa veio para abençoar o chang (chang quer dizer bebida álcoolica). Este homem veio ao lama com alguma bebida álcoolica e pediu que ele abençoasse porque achava que se estivesse abençoada ele poderia beber sem problemas. O lama disse, “Eu não sei como fazer isso. Eu não sei como abençoar isso”. Então o lama falou que se fosse assim, você sabe que no Tibet às vezes se mata um iaque por asfixia, e ele disse que se você sufocar o animal e depois abençoá-lo, ele não morre então? Então, ele disse, da mesma forma eu não posso abençoar o álcool para que você possa bebê-lo sem ter qualquer problema. Assim, seja no Tibet, seja esse lama muito realizado, mesmo assim a pessoa tem que agir de acordo com a regra ou os preceitos que foram prescritos pelo Buda.
Existem muitos grandes mestres e grandes seres realizados na Índia e também existiram muitos grandes seres realizados no Tibet também, mas eles não estão dizendo, “Eu sou realizado, então posso fazer qualquer coisa; posso comer carne e beber álcool”. Não é nada parecido com isso. Não deveria ser assim. De acordo com a escola Kagyupa, temos que ver o que os grandes mestres do passado, os antigos lamas dos Kagyupas, fizeram e disseram sobre comer carne. O Rinpotche Drikung Shagpa, mestre do Drikungpa, falou assim, “Meus estudantes, aquele que estiver comendo ou usando carne e chamando isso de tsokhor ou tsok, esta pessoa está me abandonando completamente e indo contra o dharma”. Eu não posso explicar cada uma destas coisas, mas ele disse que qualquer um que estiver usando carne e dizendo que é algo bom, isso é completamente contra o dharma e contra mim e eles não tem absolutamente nada a ver com o dharma. Ele disse isso muito, muito enfaticamente.
Outros grandes mestres também disseram isso. E cada um deles falou que se alguma pessoa comer carne e pensar que isso é permitido, você não pode nem mesmo sonhar dessa forma, porque isso é algo que nunca é certo e nunca é bom. Em alguns lugares é dito que se alguém tiver um grande método pelo qual possa liberar o ser cuja carne ele coma, só então esta pessoa pode comê-la de acordo com o Vajrayana. De outra forma, você não pode comer carne.
De acordo com Karma Tchagme Rinpotche, nós falamos sobre usar as cinco carnes e cinco amritas: se alguém é completamente realizado, só então se pode comer carne. E se você falar que muitas coisas são mencionadas sobre isso no Vajrayana – no Vajrayana muitas coisas são mencionadas sobre as cinco carnes e as cinco amritas, o que é isso? Ele disse que isso é só para as pessoas mais avançadas. Por exemplo, se você colocar alguma merda e alguma urina no altar, isto é muito ruim. Não gostamos disso e temos ânsia de vômito.
Fazer oferendas – não é para a satisfação dos grandes mestres, como se eles estivessem com fome e sede e então nós temos que dar [coisas] para eles. Não é assim. Nós temos que fazer oferendas para acumularmos atos positivos para nós.
O VIII Karmapa Mikyo Dodje também disse que se você oferecer carne durante o guktor e coisas como essa, para a puja de Mahakala [se] você colocar alguma carne ou algum álcool, coisas como essas – ele proibiu isto muito estritamente. Ele disse, “Se você faz isto, eu não sou seu lama. Vocês não são meus discípulos, ou meus seguidores, absolutamente não”. Em todos os monastérios, a Kamtsang, o Karmapa disse, “Você não tem que fazer nenhum oferecimento de carne e álcool. Talvez você possa colocar algumas frutas”. Eu ouvi isso no Sikkim, durante o guktor ou puja de Mahakala, você precisa colocar alguma carne. Se o próprio Mahakala vier, talvez ele vá comer alguma carne; talvez isso esteja certo. Mas se fizermos isso para Mahakala, colocar [ou comer?] um oferecimento de carne ou álcool, isso é completamente inútil. Isto não é bom.
Novamente, Mikyo Dodje disse, em Tuton Gyatsa, que se existem oito coisas a serem abandonadas pelos monges, como carne, álcool, armas e coisas assim – não consigo me lembrar de todas elas – porque isso é o que foi explicado no Do Palmo Che. Mais importante disso é a carne, álcool e armas. Estes você nem deve olhar, ele disse. Se você não abandonar estas oito coisas, então você não pertence ao Kagyupa, ele disse. Então você [deveria] apenas ir embora, ou sentar em algum outro lugar, assim foi dito. Se você come carne você não está incluído no Kagyupa. Então não sabemos se somos Kagyupas ou não.
Djamgon Kongtrul, antes de morrer, disse de novo e de novo, que ele estava sempre rezando para que ele tivesse renascimento como alguém que não coma mais carne. Existem muitas coisas para ler. Existem muitas citações. Devemos colocar isto em prática. Como colocar em prática: [nome do primeiro sutra mencionado não é claro], Do Lanka Shepa, Na Nyen Le Depa Do, em todos esses sutras comer carne foi claramente proibido. E mesmo nos lugares em que comer carne era apenas meramente permitido, não era que se estimulasse a comer carne. Ninguém falou que comer carne era bom ou que não era problema. Era apenas dito que estas pessoas que têm dificuldade demais em não comer carne, então comer carne era meramente permitido. Era dito desta forma.
Então no Tibet, [entre os] Kagyu, Nyingma, Sakya, Guelug e djonang – eu não li muito sobre o Bonpo – [em] todos estes lugares, comer carne era fortemente proibido.
Há algo que eu quero contar sobre mim mesmo, pessoalmente. Quando eu era jovem, 11 ou 12 anos, alguém que lia mãos olhou para a palma de minha mão [e disse], “Quando você tiver 23 ou 24 anos vai haver um grande obstáculo”. Mas eu era novo e não pensava sobre isso. Eu esqueci isso. Então eu vim para a Índia. Foi depois de cinco ou seis anos que aconteceu. Então eu tive um sonho. Um lama [no meu sonho] disse que alguém que lia mãos também “disse a você que havia um obstáculo. Você não se lembra?”. Eu disse, “Eu me lembro”. Então ele disse, “Existe um obstáculo para sua vida”. Normalmente eu não tenho muito medo da morte. Sou um Karmapa, então finjo que sou um pouco valente. Naquele sonho eu fiquei muito assustado. Quando acordei, meu coração estava batendo muito rápido. Era um sonho, [apesar disso] eu também acho que existe algum obstáculo.
Também pessoas como eu, se eu viver bastante, não sei se isso tem muita utilidade ou não, mas de oito anos de idade até agora, fui criado por monastérios e pelo dharma e minha única intenção é ser capaz de servir, um pouco, o dharma e a sangha e os monastérios. Todas minhas intenções e ações não foram negativas demais até agora. Se tudo correr bem eu aspiro servir o dharma e os seres. Para me livrar deste obstáculo eu sinto que a coisa mais importante a fazer é salvar vidas e desta forma não comer carne. Então eu sinto que esta é a coisa mais importante.
Quer você encare isto de um ponto de vista geral ou específico, é muito importante não comer carne. E também, este ano ou no próximo ano, o ano do obstáculo de Sua Santidade o Dalai Lama estará acontecendo. Especialmente no ano passado ele proibiu completamente vestir a pele de animais selvagens e coisas como esta. Agora é muito importante fazer estas coisas.
Eu tenho algumas propostas: Primeiro, expirem com força. Se vocês são Kamtsang, seja você é um monge ou monja ou um leigo, você não deve negociar com carne, comprando animais e os matando e vendendo a carne. Então nunca use a venda de carne como negócio. Esta é uma das coisas, é muito importante. Não são só aqueles que estão na Índia, existem muitas pessoas no Tibet que estão fazendo isso. Eu ouvi que mesmo alguns tulkus no Tibet estão fazendo este tipo de negócio.
No monastério de Tsurphu quase tudo desse tipo de coisa foi destruído, mas o matadouro ainda está lá; ele ainda permanece. Não deveria haver um matadouro. Devemos fazer todos os esforços para que não haja um matadouro onde houver um monastério Kamtsang. Eu usualmente penso sobre todo a Kagyu, mas a primeira coisa sobre que temos que falar são os monastérios Kamtsang. Então não deve haver um matadouro no monastério ou que pertença a ele. Isso não deve acontecer. Isso não é apenas para os monges e monjas, mas qualquer um que diga seguir a tradição Kamtsang, todos deveriam ter isso em mente.
Agora para os monges e monjas... também [não] cozinhem carne de maneira exagerada... Eu estava olhando uma revista ocidental e vi cerca de dez monges cortando carne. E parece que eles estavam fazendo muita carne e cortando muita carne. Algumas vezes você tem que fazer um pouco, mas cozinhar um monte de carne para grandes reuniões, especialmente vestindo os hábitos, isto não deveria ser feito. Isso não pega bem, também. Usualmente dizemos que não existe ser que não tenha sido nosso pai ou mãe... E então, [a respeito de] ir ao matadouro vestindo os hábitos para comprar carne – quando você vai ao matadouro o único motivo é comprar carne. Devemos diminuir as idas ao matadouro.
Se você precisa realmente, realmente, comprar alguma carne, você deveria pedir a alguma outra pessoa para comprá-la. Para monges, ir ao matadouro e comprar carne pega muito mal. E então devemos diminuir o consumo de carne. Geralmente comemos três vezes por dia e então devemos comer carne apenas uma vez por dia e não em todas as refeições, ou algo assim. Ou devemos dizer, “Vou comer carne apenas uma vez por mês”, ou algo assim. Tibetanos geralmente acham que dias especiais são muito importantes, como o dia da lua cheia ou o dia da lua nova, ou Tchotrul Dawa ou Saga Dawa. Existem pessoas que não comem carne nesses dias.
Algumas pessoas desistem da carne completamente, mas algumas pessoas não conseguem. Mas ao menos, deveriam reduzir o consumo de carne. Em sociedade, se todo mundo está comendo carne, é muito difícil desistir da carne, mas se existe uma sociedade em que todos não estão comendo carne, então é fácil não comer carne. Mas se todo mundo está comendo carne então não é fácil parar de comer carne. Na próxima sessão eu vou perguntar a vocês, quantos de vocês vão comer carne em apenas uma refeição e não nas duas outras refeições. Aqueles que vão fazer isso devem levantar suas mãos. Eu não posso ver todas elas, mas vocês devem fazer a promessa para vocês mesmos. Então [vou perguntar] quantos de vocês gostariam de desistir da carne em dias especiais e quantos de vocês vão desistir da carne por todo o tempo. Então vocês têm que pensar. [Apesar disso] não há muito o que pensar sobre isso. Vocês só têm que decidir. Pensar não é realmente muito útil; vocês só têm que decidir.
Outra coisa de que esqueci é que qualquer monastério que pertença a Kagyu Kamtsang, a cozinha do monastério não pode e não deve fazer qualquer comida com carne. E se você trouxer carne e cozinhá-la na cozinha do monastério significa que você não está me tomando como seu professor, você não está pertencendo à Karma Kagyu. E não há nada a discutir sobre isso. Está encerrado. Isso é muito importante.
Especialmente no Tibet, antes era muito difícil, mas agora por causa da bondade dos chineses não é tão difícil. Não é como se só houvesse carne para se comer, existem outras coisas também, existem vegetais e coisas como essas. Você deve pensar que comer carne não é bom, comer carne é sujo e ruim para sua saúde – esta maneira de ver tem que ser cultivada. É bom para a longa vida de Sua Santidade o Dalai Lama e também para Apo Gaga (17º Karmapa). Você pode usar meu nome também. Se você quer que Apo Gaga viva mais, não comer carne ajuda. E seu próprio guru raiz e todos os grandes seres, se você quer que eles vivam bastante, a melhor maneira é reduzir a carne ou não comê-la.
Na próxima sessão, uma vez que vocês tomem o compromisso vocês deveriam realmente observá-lo. Se você toma o primeiro compromisso muito claramente e de maneira muito forte, então seu segundo compromisso vai ser bom e o terceiro também, então o primeiro compromisso deveria ser muito forte e você não deveria tomar o compromisso a menos que você realmente possa cumpri-lo e pretenda fazer isso.
Kagyu Monlam 2007
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