Vajrayana

Uma das questões que sempre surgem quando uma pessoa encontra um Lama ou um Gonpa Buddhista é "O que fazer? Como agir?"

Respostas detalhadas não estão sempre evidentes ou acessíveis quando essa situação se apresenta, mas uma regra básica a ser seguida quando lidamos com pessoas, lugares ou situações de cunho religioso pode ser definita com apenas uma palavra: respeito.

O que é um Gonpa?

Um Gonpa Buddhista (sala de prática, de meditação) é um lugar onde todo o espaço foi preparado para uma pessoa contactar o mais alto aspecto da sua natureza. Um Gonpa é um lugar para para desenvolvermos a natureza buddha que reside dentro de cada um de nós e para experienciarmos essa mais alta natureza transmitida por uma mestre espiritualmente avançado. Um Gonpa é na verdade um templo, um altar religioso, e deve ser visto respeitosamente, sempre com essa atitude mental.

Como sentar

Ao invés de bancos de igreja, um Gonpa tem almofadas no chão. E assim, como não se usa o espaço de uma igreja para relaxar e conversar socialmente, não se faz isso também em um Gonpa. A postura aceitável dentro de um Gonpa é sentar de pernas cruzadas em uma almofada no chão. Se isso for muito difícil devido a algum problema físico, é permitido sentar-se numa cadeira na parte de trás do Gonpa.

A postura de pernas cruzadas, ou postura de lótus, é universalmente utilizada no Oriente como uma postura que expressa e produz a atitude de contemplação, respeito e receptividade à verdade que está sendo dita nos ensinamentos. Por isso, não se deve sentar com as pernas esticadas a frente, pois esse gesto é um sinal de desrespeito. Deitar-se é um sinal de desrespeito ainda maior.

Durante uma sessão longa de ensinamentos, um Puja, ou uma sessão de meditação sentada, pode ser desconfortável se sentar na mesma posição por muito tempo. Nesse caso, suaves mudanças na postura podem ser feitas. Mas lembre-se, quanto mais você praticar ficar sentando em uma posição só, mais acostumado você se tornará. Isso também faz parte da prática espiritual. Para estudantes do buddhismo, a habilidade de ficar longas horas sentados é uma coisa a se aperfeiçoar.

Sapatos, roupas e conversas

Os sapatos devem ser tirados e deixados no chão da entrada. Chapéus não devem ser usados. Saias curtas ou roupas decotadas não são vestimentas apropriadas dentro de um Gonpa.

Se a utilização de uma saia mais curta for realmente necessária por razões pessoais, é importante trazer algum tipo de tecido para cobrir as pernas enquanto a pessoa estiver sentada.

Apesar de homens e mulheres celibatárias não serem muito comuns no Ocidente hoje em dia, essa é a maneira de vida e de prática de muitos no Oriente, incluíndo Lamas, e essa opção deve ser respeitada quando se visita um Gonpa ou um monastério.

A conversa deve ser mantida ao mínimo, dentro ou nos arredores de um Gonpa, já que existem pessoas freqüentemente praticando e meditando por perto.

Textos, livros e ensinamentos

Textos, livros do Dharma e de Pujas não devem ficar no chão, pois isso demonstra desrespeito com a verdade que eles contém. Eles devem ficar sobre uma mesa ou almofada. Também não se deve passar por cima de textos do Dharma, nem pisar neles, nem sentar em cima deles.

Assim como o Dharma escrito, o Dharma falado também deve ser tratado com respeito.

Falando literalmente, ao menos que você esteja servindo chá ou algo do tipo, ou tenha um problem físico, você não deve se levantar, entrar e sair durante ensinamentos e Pujas.

Isso demonstra falta de consideração pelos outros presentes, que se distraem quando isso acontece. Sem contar o desrespeito pelo Lama que está ensinando naquele momento.

Quando a sessão de perguntas começar, você poderá se levantar e sair, se necessário, desde que a transmissão formal de ensinamentos dados pelo Lama tenha terminado.

Ao Entrar

Quando entrar em um Gonpa, um praticante buddhista faz 3 prostrações de frente para o altar ou pode apenas fazer um cumprimento respeitoso com as mãos unidas.

Um ocidental não-budista que vê uma prostração pela primeira vez pode ficar surpreso e pode até achar que o praticante está envolvido em algum ritual estranho de adoração a ídolos – o que não seria, nem de longe, o caso.

O verdadeiro significado do ato de fazer uma prostração é, ao menos parcialmente, render-se com todo o corpo e com todos os apegos do nosso ego, em um gesto para benefício de todos os seres. É uma reafirmação do voto de Bodhisattva. É um oferecimento do nosso ser inteiro ao serviço dos outros, e ao trabalho de se engendrar na atitude iluminada.

Resumo

Muitas das atitudes de respeito e polidez parecem ter desaparecido na nossa sociedade moderna.

A cortesia pura que aflora do coração, resultado do puro respeito tem, desde tempos antigos, feito parte da disciplina espiritual das religiões, assim como tem sido útil no desenvolvimento da própria socidedade.

Ser cortês, respeitoso e educado não é uma coisa superficial que está apenas na forma. Ela pode ser uma grande prática de atenção e de desenvolvimento de ações de um Bodhisattva.

E é com essa atitude que uma pessoa deve se aproximar cada vez mais de uma atenção bem cuidada, que se dá conta nos mínimos detalhes, ao mostrar respeito por um Lama, um Gonpa ou por situações comuns da nossa vida diária.